JESUISMO - TODA AUTORIDADE A JESUS CRISTO

ANTROPOLOGIA DA RELIGIÃO CRISTÃ

Um novo mandamento vos dou: que vos ameis uns
aos outros; assim como eu vos amei a vós, que também
vós vos ameis uns aos outros. Nisto conhecerão todos
que sois meus discípulos, se tiverdes amor uns aos outros
(Jo 13:34-35)

A SUFICIÊNCIA DA BÍBLIA COMO REGRA DE FÉ E PRÁTICA PARA OS CRISTÃOS

Caros leitores, conforme me comprometi, eu quero cumprir com a promessa de que toda a apologia à divindade e à ética de Jesus Cristo, com o nome de Jesuismo, será embasada na Bíblia. Como o assunto desta lição versa sobre a Antropologia da Religião Cristã, considero lícito informar a fonte científica que tomei por base para encontrar a explicação para a decadência do cristianismo nos últimos dezessete séculos. Reconheço que haja muita resistência por parte dos cristãos em aceitarem quaisquer conceitos que partam da Antropologia; isto se deve ao fato de que, na mente de muitos líderes cristãos, a ciência faz concorrência a Jesus.

O posicionamento dos líderes cristãos em verem os filósofos, os sábios, os mestres, os pensadores e os humanistas como concorrentes para Jesus decorre do fato de eles o apresentarem às pessoas de um modo bem diverso daquilo que é o bíblico. Então vejamos como o profeta Isaías apresenta Jesus, passo a passo, cerca de setecentos anos antes do seu nascimento: O povo que andava em trevas viu uma grande luz; e sobre os que habitavam na terra de profunda escuridão resplandeceu a luz (Is 9:2). Neste ponto eu me recuso a argumentar que Jesus tenha o monopólio da luz divina; eu convido você a recebê-Lo como Deus, para fazer o que Ele manda, então você vai poder saber se Ele é ou não a Luz Divina.

O profeta apresenta Jesus, no passo seguinte, como quem trás alegria àqueles que acabam de sair da escuridão e tomam conhecimento de que a Luz existe e que ninguém pode apagá-la: Tu multiplicaste este povo, a alegria lhe aumentaste; todos se alegrarão perante ti, como se alegram na ceifa e como exultam quando se repartem os despojos. (Is 9:3). E que a Luz do mundo trás alegria e garante: ... a vossa alegria ninguém vo-la tirará. (Jo 16:22). Um dia eu segui estes passos e a minha alegria só tem aumentado; gosto muito de ser reconhecido como o pregador que ensina que Jesus é Deus. E, francamente, eu gostaria de compartilhar esta alegria com você. Portanto, comece hoje mesmo a pedir a Deus que Ele lhe diga quem é Jesus.

Com todos os caminhos abertos e todas as maravilhas reveladas pela Luz e com a alegria advinda de tamanha descoberta, vem a liberdade: Porque tu quebraste o jugo da sua carga e o bordão do seu ombro, que é o cetro do seu opressor,... (Is 9:4). A Liberdade que declara: Se, pois, o Filho vos libertar, verdadeiramente sereis livres (Jo 8:36). Novamente você é desafiado a experimentar esta liberdade; ou seja, este conjunto de sentimentos bons só acessíveis àqueles que receberam Jesus como Deus. Eu não estou dizendo que os que receberam Jesus como Deus são todos aqueles que frequentam a uma igreja e se declaram crentes, porque nasceram na fé ou porque viram vantagens sociais em ser crentes. Jesus diz que é preciso nascer de novo.

E agora vem o penúltimo passo do profeta rumo à apresentação definitiva da divindade: Porque todo calçado daqueles que andavam no tumulto, e toda capa revolvida em sangue serão queimados, servindo de pasto ao fogo (Is 9:5). Vem então o anúncio de que raiou o Dia, veio a Alegria e com ela a Liberdade porque a guerra acabou mediante a declaração de paz: E ele julgará entre as nações, e repreenderá a muitos povos; e estes converterão as suas espadas em relhas de arado, e as suas lanças em foices; uma nação não levantará espada contra outra nação, nem aprenderão mais a guerra (Is 2:4). Então veio o tempo de paz: Deixo-vos a paz, a minha paz vos dou; eu não vo-la dou como o mundo a dá. Não se turbe o vosso coração, nem se atemorize (Jo 14:27).

E finalmente, eis o Deus Forte: Porque um menino nos nasceu, um filho se nos deu; e o governo estará sobre os seus ombros; e o seu nome será: Maravilhoso Conselheiro, Deus Forte, Pai Eterno, Príncipe da Paz (Is 9:6). Um menino?, um menino, um menino!. Isto mesmo; um menino. Não importa como você recebeu esta notícia: se duvidoso, se indiferente ou eufórico, mas o fato é que o Deus Forte nasceu menino, portanto humano e divino ao mesmo tempo; isto mesmo, Deus em carne e osso; este menino Deus tinha a missão de reabrir as portas da Eternidade a todos aqueles que cressem que Ele é quem diz ser; este é o assunto da nossa apologia chamada Jesuismo.

Com esta sequência de profecias que é considerada o retrato falado de Jesus eu quero meditar com você sobre o que existe hoje de cristianismo bem intencionado e espiritualmente sanável e o que é proposto pelo Jesuismo. O que foi apresentado até aqui é um caminho a ser percorrido por todas as pessoas que um dia se descubram como tendo sido feitas à imagem e semelhança de Deus e não saibam o que fazer com tamanho privilégio. Há quem tente negá-lo, há quem o considere um fardo muito pesado, há quem o ache injusto e há ainda aqueles que fazem de tudo para se livrar dele. Com a ajuda de Deus, veremos então o que fazer com este privilégio; isto também é assunto da nossa apologia que deverá ter longa duração.

UMA PROPOSTA VAZIA E MENTIROSA

É tudo o que eu vou fazer a você seu eu não considerar a inocência das igrejas bem intencionadas e espiritualmente sanáveis. Considere, então, que a apologia que se faz aqui cobre um período de mais de dezessete séculos; por isto, não se pode atribuir ao catolicismo romano as mazelas atuais, porque, a igreja só adotou a idolatira do império ramano porque Jesus já não significava mais nada para boa parte dos fiéis, na época em que o imperador romano subjugou a igreja. Se a divindade e a ética de Jesus fossem observadas na igreja daquela época, haveria morrido até o último fiel e o imperador não teria levado os ídolos pagãos para dentro da igreja. Por isto, é preciso que sejamos pontuais naquilo que é o objeto do Jesuismo.

Se alguém me perguntar se eu acho que a igreja católica romana se inclui entre as igrejas bem intencionadas e espiritualmente sanáveis, eu respondo que sim. Sim, porque a igreja não é a edificação de barro; esta dificilmente vai abrir mão da idolatria que pratica, mas, as pessoas podem tomar o rumo da adoração ao Deus vivo e renunciarem aos ídolos. E quanto às igrejas reformadas, são todas bem intencionadas e espiritualmente sanáveis? Veja bem; é  preciso que se tenha em conta a igreja reformada originária da reforma, ou seja, aquela que participou da reforma, ou aquela que surgiu dos ideais da reforma e que suas diferenças em relação à igreja reformada originária sejam apenas relativas a aspectos organizacionais.

Este cuidado em tomar a igreja reformada originária se deve ao fato de que é preciso que se estabeleça um conjunto de padrões para que se possa acoplar os ideais da apologia ao conjunto de doutrina existentes nas igrejas. Uma pergunta incômoda seria: o que é uma igreja mal intencionada e espiritualmente insanável? Para responder a esta pergunta é preciso que se tenha à mão os Evangelhos. Aquelas igrejas que apresentem em seu conjunto de doutrinas outro problema que não a falta de ênfase na divindade, na ética e consequentemente, na autoridade de Jesus, não faz parte do grupo que se pretende avaliar. O que se pretende é inserir os conceitos de divindade e ética de Jesus nas igrejas que claramente ainda não os introduziram porque já se formaram em um contexto em que tais conceitos já haviam ficado para trás.

Quando se fala em inocência é preciso que se entenda isto como algo que tenha a ver com a cultura da igreja. Como em qualquer contexto cultura é tudo o que se aprende. Por isto, é preciso que se analise qual o peso da cultura do sagrado na igreja, porque é muito difícil questionar o sagrado. Mas eu quero afirmar que o sagrado não é inquestionável em um contexto em que se queira fazer a vontade de Deus e que Jesus Cristo seja reconhecido como a divindade e que suas palavras sejam postas à parte em relação a quaisquer outras palavras e sejam consideradas o código de conduta a ser adotado pelos fiéis. E é exatamente a isto que o Jesuismo se propõe; romper com o que for sagrado e que não faça parte dos Evangelhos.

Devo reconhecer que no meio reformado originária existe uma consideração muito importante sobre os diferentes aspectos culturais das pessoas e suas diversas concepções religiosas. E para que tudo o que não seja essencial à salvação seja flexibilizado evita-se as atitudes legalistas. Mas, devo admitir também que em uma igreja em que todos os personagens bíblicos têm igual autoridade fica difícil saber o que é legalismo e o que não é. Porque, a autoridade da lei decorre da autoridade de quem a promulga. Por isto é que eu acho que a igreja reformada originária tem uma responsabilidade muito grande em retomar um cristianismo que além de muito lindo era também muito poderoso; aquele cristianismo em que Jesus Cristo era proclamado Deus, e os outros personagens eram todos servos.

Então, eu convido você a arrazoar quanto à necessidade de se restabelecer imediatamente a autoridade de Jesus na igreja e consequentemente nas vidas das pessoas; e isto não é uma coisa que se faça de acordo com outras pessoas; só depende da consciência de cada um. Sei que estou me dirigindo a pessoas que tenham alguma influência no ministério das igrejas e são justamente estas pessoas que são mais sectárias. Elas sabem bem pouco ou não sabem absolutamente nada sobre Jesus e acham que sabem tudo a partir das considerações feitas pelos apóstolos, principalmente o apóstolo Paulo. Pois é justamente aí que está o problema; Jesus que ser conhecido a partir das suas próprias palavras; Ele quer fazer um contato com você sem intervenção humana.

Como esta apologia não pretende ser uma denominação, todos os esforços serão para construir sobre um fundamento que já existe. Por isto, eu considero que ter a pretensão de desprezar tudo o que é bom existente nas igrejas é uma proposta vazia e irresponsável. Portanto, se você deseja conhecer a Deus por meio dos estudos aqui disponibilizados, é preciso que compreenda que o Jesuismo não é uma proposta nova; é a reconstrução de um cristianismo mais verdadeiro, ético e socialmente responsável que já existiu nos três primeiros séculos da era cristã. Vamos aproveitar o que a igreja faz de bom; isto será evidenciado no tópico a seguir, quando trataremos dos aspectos antropológicos da religião cristã.

ASPECTOS ANTROPOLÓGICOS DA RELIGIÃO CRISTÃ

Conforme eu prometi no início desta lição, agora começo a fazer as considerações necessárias sobre os aspectos antropológicos da religião cristã. Devo admitir que fiz uma pesquisa bastante ampla para ver se encontrava na antropologia a causa da decadência em que se encontra o cristianismo atual. Tudo o que eu encontrava dizia respeito a mitos, crendices e mágicas; nada que correspondesse à seriedade do meu objetivo. Até que um dia eu encontrei um livro bem antigo, na prateleira de Antropologia da Universidade de Brasília; o livro era bem antigo, mas estava intocado; na sua ficha de registro de empréstimo não havia uma única movimentação, em anos.

Trata-se do livro "Religion: An Anthropological View - Anthony F. C., Wallace - Random House, 1966." O livro continha exatamente o que eu precisava. Vale salientar que o que foi apreendido do livro não corresponde a definições precisas como se pretende usar neste artigo. Também o conteúdo deste artigo não pode ser considerado resenha para o livro; o livro forneceu apenas uma estrutura científica a ser preenchida com os elementos particulares da religião cristã. Como o autor do livro é um estudioso das religiões indígenas da América do Norte, as observações relatadas em muito se assemelham aos aspectos antropológicos da religião cristã, visto que as religiões indíginas não sofreram as deturpações impostas por outros grupos religiosos.

Para que você entenda tudo sobre religião, você precisa aceitar a mais absoluta verdade sobre o assunto, os elementos da religião foram feitos por causa do homem e não por causa de Deus. Sobre isto Jesus afirma: ... O sábado foi feito por causa do homem, e não o homem por causa do sábado. Pelo que o Filho do homem até do sábado é Senhor (Mc 2:27-28). Neste contexto, os judeus consideraram o sábado sagrado demais para ser violado por um homem; então, Jesus impõe a sua autoridade; sem, no entanto, revogar o sábado. O sábado não foi revogado; ele está sendo guardado a cada sete dias após a ressureição de Jesus, que é Senhor de todas os dias, de todas as coisas e de todos os homens.

Os elementos antropológicos da religião cristã presente no livro tomado como base são: divindade, ética, escriturística, escatologia, ritualística, tabu e superstição. Analisando-se os elementos antropológicos do ponto de vista da religião cristã, percebe-se que os cinco primeiros elementos são desejáveis e os dois últimos são indesejáveis. De agora em diante faremos uma definição de cada um deles e a sua posição na religião cristã, tomando-se como base a igreja originária da reforma protestante. Esta igreja é tomada como padrão porque ela representa o último movimento de reconstrução do cristianismo de dimensões planetárias.

A SUPERSTIÇÃO E O TABU RELIGIOSO

Por uma questão didática, do ponto de vista cristão, os elementos antropológicos aqui tratados, serão definidos em ordem crescente de importância. Em primeiro lugar veremos a superstição. A superstição, do ponto de vista cristão, é o nível mais acentuado da falta de confiança em Deus. Ela está para a alma, assim como a febre está para o corpo; ela é uma alerta de que algo está errado com a condição espiritual da pessoa, que inspira cuidados. A superstição está no inconsciente humano e se revela nos momentos de crise existencial em forma de consulta a adivinhos, a horóscopos, a cartomantes e a inúmeras religiões, incluindo-se aí aquelas que se apoiam na Bíblia para explorar a fragilidade alheia.

A falta de confiança em Deus é o pecado de todos os famintos, para quem a convivência com Deus não basta, ou ainda não lhe foi revelada. Ora, a serpente era o mais astuto de todos os animais do campo, que o Senhor Deus tinha feito. E esta disse à mulher: É assim que Deus disse: Não comereis de toda árvore do jardim? Respondeu a mulher à serpente: Do fruto das árvores do jardim podemos comer, mas do fruto da árvore que está no meio do jardim, disse Deus: Não comereis dele, nem nele tocareis, para que não morrais. Disse a serpente à mulher: Certamente não morrereis (Gn 3:1-4). Este trecho do mito da criação ilustra muito bem a falta de confiança em Deus daquele para quem a convivência com Deus não bastava.

Este trecho da Bíblia revela muito bem o conflito existente entre o lado nobre do homem, que é ser semelhante a Deus, e o mundo. O mundo neste contexto é um conjunto de ofertas que o maligno faz ao ser humano, normalmente relacionado ao prazer físico e à sabedoria espiritual; que vem a ser o alimento e a luz espirituais. Releia os versículos do parágrafo acima e veja como a serpente se apresenta como a libertadora do homem do jugo de Deus, ao afirmar que Não comereis de toda a árove ... É uma mentira, na tentativa de colocar o homem contra Deus e de atrair os homens a si. Esta sedução do Mal está bem presente na vida das pessoas, mas o Bem sempre vence. Agora é o juízo deste mundo; agora será expulso o príncipe deste mundo. E eu, quando for levantado da terra, todos atrairei a mim (Jo 12:31-32).

Como já foi dito, a superstição é uma fragilidade humana que precisa ser tratada. Veja então como Jesus vê os sedentos de espírito: Vendo ele as multidões, compadeceu-se delas, porque andavam desgarradas e errantes, como ovelhas que não têm pastor. Então disse a seus discípulos: Na verdade, a seara é grande, mas os trabalhadores são poucos. Rogai, pois, ao Senhor da seara que mande trabalhadores para a sua seara ( Mt 9:36-38). Então, é preciso que se trate os que buscam alimento e luz nos lugares áridos, com todo o carinho, e que se tenha a consciência de que Jesus mandou que rogássemos ao Senhor da seara para que Ele mande trabalhadores e não que dispersemos os poucos que já estão no campo.

Examinaremos agora o tabu religioso. O tabu religioso vem a ser um tipo de proibição dogmática; sem nenhuma explicação e sem nem um fundo de verdade e, muito frequentemente é uma mentira. Examinemos então que a mulher responde à serpente que do fruto da árvore que está no meio do jardim não poderiam comer e que o Senhor haveria dito: .. nem nele tocareis ( Gn 3:3.). Não é verdade; a mulher inventou a proibição de não tocar, na tentativa de encontrar forças contra o Mal. Não adiantou, porque tabu religioso é preceito humano e preceito humano não tem força contra o pecado. Ela acabou cedendo à investida do Mal. Portanto, o excesso de zelo religioso que não decorra dos Evangelhos é tabu religioso e não tem força contra o pecado.

Vale salientar que o tabu religioso é muito praticado dentro das igrejas e incentivada pelos seus líderes que inventam doutrinas como bem querem para exercer controle sobre os membros da congregação. Proíbem o trabalho ao sábado, a televisão, o jornal, a comida, a bebida e tudo o mais que uma vez proibido tenha aparência de zelo religioso. Contra tais proibições, conforme já visto, Jesus demonstrou ser Senhor do sábado e flexibilizou o seu uso. Quanto às demais proibições Jesus diz: Não é o que entra pela boca que contamina o homem; mas o que sai da boca, isso é o que o contamina ( Mt 15:11). Percebe-se, então, que quando falta autoridade vem a usurpação; está faltando a autoridade de Jesus nas igrejas e consequentemente nas vidas das pessoas. Por isto, a volta da autoridade de Jesus é o que  Jesuismo propõe.

Para se ter uma ideia da influência do tabu religioso na história da igreja cristã, já no início do século IV, a igreja já havia perdido boa parte do seu poder. Isto se deu porque a autoridade decorrente da divindade e da ética de Jesus foi substituída pela autoridade dos apóstolos, principalmente do apóstolo Paulo, que, através de suas cartas, encantou a cristandade com suas prescrições, suas proibições e suas aventuras. Além da autoridade dos apóstolos, também contribuíram para o enfraquecimento da autoridade de Jesus, naquela época, os inúmeros cânones que eram proibições que tinham como objetivo o combate às muitas heresias que ameaçavam a sobrevivência de uma igreja que já não sabia mais quem era Jesus, e que acabou se rendendo, sem resistência, aos encantos do império romano.

A RITUALÍSTICA

A ritualística ou simplesmente o ritual é o que há de mais humano na religião. Ele é tão humano que os teólogos cristãos frequentemente negam a sua importância. Ele é tão importante para a comunicação com a divindade, que muitas religiões se apoiam somente nele para lidar com as demandas espirituais decorrentes da superstição e do tabu. Isto ocorre em religiões que buscam a espiritualização do ser humano como um ser terreno; que não cultive nenhuma perspectiva séria de eternidade, ainda que admitam como divindade um ser superior. A posição do Evangelho em relação a tais religiosos é de que eles são pobres desgarrados que andam errantes como ovelhas que não têm pastor à espera de quem lhes apresente Jesus como Deus.

No cristianismo, os rituais mais importantes são a oração, o ensino, a congregação e a Santa Ceia. Como do ponto de vista antropológico o ritual é essencialmente a comunicação com a divindade, a oração é, sem dúvida, o ritual mais praticado pelos cristãos. A primeira referência que se tem na Bíblia sobre a oração remonta ao mito da criação: A Sete também nasceu um filho, a quem pôs o nome de Enos. Foi nesse tempo, que os homens começaram a invocar o nome do Senhor (Gn 4:26). Conforme citado no versículo anterior, oração é coisa séria e deve ser uma invocação a Deus com muita fé. A Bíblia é, sem dúvidas, a única regra de fé e prática dos cristãos, e também a melhor testemunha da sinceridade e da eficácia da oração.

A oração como forma de comunicação com a Deus precisa que suas palavras sejam frutos de uma consciência voltada para o dever de guardar os mandamentos de Jesus, para que a petição contida na oração seja também santa, por ter sido gerada pelo Espírito Santo, o Consolador, o Ajudador. Jesus ensina que a oração não pode ser um espetáculo público para ser ouvida pelos homens: Mas tu, quando orares, entra no teu quarto e, fechando a porta, ora a teu Pai que está em secreto; e teu Pai, que vê em secreto, te recompensará (Mt 6:6). Jesus não está condenando a oração em locais públicos nem restringindo a oração a recinto fechado, uma vez que Ele também orou em público.

Embora Jesus não tenha feito nenhuma oração de confissão de pecados, por nunca haver cometido pecado: Quem dentre vós me convence de pecado?  (Jo 8:46); os cristãos precisam fazer orações de confissão de pecado com muita frequência e em um estado de consciência tão honesto que possa ser ouvido por um Deus que é onisciente. E, finalmente, os cristãos precisam fazer orações de gratidão; este tipo de oração marcou fortemente o ministério de Jesus entre nós. Naquele tempo falou Jesus, dizendo: Graças te dou, ó Pai, Senhor do céu e da terra, porque ocultaste estas coisas aos sábios e entendidos, e as revelaste aos pequeninos ( Mt 11:25). Que fique bem claro que os três principais tipos de oração dos cristãos são: petição, confissão e gratidão.

Um aspectos importante a ser observado sobre a oração é a petição. Jesus deixa bem claro qual seja o Objeto principal da oração de petição do cristão: Pelo que eu vos digo: Pedi, e dar-se-vos-á; buscai e achareis; batei, e abrir-se-vos-á; pois todo o que pede, recebe; e quem busca acha; e ao que bate, abrir-se-lhe-á. E qual o pai dentre vós que, se o filho lhe pedir pão, lhe dará uma pedra? Ou, se lhe pedir peixe, lhe dará por peixe uma serpente? Ou, se pedir um ovo, lhe dará um escorpião? Se vós, pois, sendo maus, sabeis dar boas dádivas aos vossos filhos, quanto mais dará o Pai celestial o Espírito Santo àqueles que lho pedirem? (Lc 11:9-13). Embora o Espírito Santo seja a prioridade da petição cristã, na oração do Pai Nosso, Jesus mostra que é necessário pedir ao Pai pelo suprimento diário.

Como a oração é o principal ritual dos cristãos e tem por objetivo a comunicação com Deus, o ensino de Jesus é a regra máxima para a prática deste ritual tão importante que não pode ser confundido com uma reza pagã: E, orando, não useis de vãs repetições, como os gentios; porque pensam que pelo seu muito falar serão ouvidos. Não vos assemelheis, pois, a eles; porque vosso Pai sabe o que vos é necessário, antes de vós lho pedirdes (Mt 6:7-8). Uma avaliação da prática do ritual da oração pela igreja reformada originária percebe-se que nada está em desacordo com a divindade e com a ética de Jesus.

O ensino cristão também é considerado uma forma de comunicação com Deus porque a sua eficácia depende da intervenção do Espírito Santo. E, aproximando-se Jesus, falou-lhes, dizendo: Foi-me dada toda a autoridade no céu e na terra. Portanto ide, fazei discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo; ensinando-os a observar todas as coisas que eu vos tenho mandado; e eis que eu estou convosco todos os dias, até a consumação dos séculos. (Mt 28:18-20.) Esta passagem do Evangelho resume muito bem os objetivos do Jesuismo. A recuperação da autoridade de Jesus e a observação dos Seus mandamentos para que os cristãos recebam o Espírito Santo.

O ensino cristão é tão importante como forma de comunicação com Deus, que a fala de um discípulo de Jesus deve impactar os ouvintes: esta é a essência da religião cristã. Mas, quando vos entregarem, não cuideis de como, ou o que haveis de falar; porque naquela hora vos será dado o que haveis de dizer. Porque não sois vós que falais, mas o Espírito de vosso Pai é que fala em vós (Mt 10:19-20). Também esta passagem do Evangelho evidencia a necessidade de a igreja cristã se voltar para o ensino de Jesus e não centrar o ensino nas palavras e na autoridade dos apóstolos como vem acontecendo há mais de dezessete séculos. Vamos viver a divindade e a ética de Jesus, porque o que se está ensinando na igreja serve muito bem a uma idolatria. Não à idolatria do dos ídolos romanos, mas à idolatria dos servos revestidos da autoridade só cabível a Deus que são os inúmeros personagens bíblicos.

A congregação, do ponto de vista antropológico, é uma forma de comunicação entre os fiéis e a divindade. E do ponto de vista cristão a analogia é a mesma. Vejamos, então o que Jesus afirma sobre a congregação: Ainda vos digo mais: Se dois de vós na terra concordarem acerca de qualquer coisa que pedirem, isso lhes será feito por meu Pai, que está nos céus. Pois onde se acham dois ou três reunidos em meu nome, aí estou eu no meio deles (Mt 18:19-20). Creio que não precisamos analisar mais do que estes dois versículos para que provemos a necessidade de mudança nos conceitos de congregação ensinados pela igreja cristã. Vamos analisar este assunto com bastante cuidado.

Vejamos, então, que Jesus se refere a dois ou três e não a centenas ou a milhares. Jesus não comissiona um mais capacitado entre estes dois ou três. Jesus quer apenas que seus discípulos o amem de verdade e não de forma pretenciosa como fez Pedro no Mar de Tiberíades. Depois de terem comido, perguntou Jesus a Simão Pedro: Simão Pedro: Simão, filho de João, amas-me mais do que estes? Respondeu-lhe: Sim, Senhor; tu sabes que te amo. Disse-lhe: Apascenta os meus cordeirinhos.  Tornou a perguntar-lhe: Simão, filho de João, amas-me? Respondeu-lhe: Sim, Senhor; tu sabes que te amo. Disse-lhe: Pastoreia as minhas ovelhas.  Perguntou-lhe terceira vez: Simão, filho de João, amas-me? Entristeceu-se Pedro por lhe ter perguntado pela terceira vez: Amas-me? E respondeu-lhe: Senhor, tu sabes todas as coisas; tu sabes que te amo. Disse-lhe Jesus: Apascenta as minhas ovelhas (Jo 21:15-17).

Analisemos, então este episódio em que Jesus vai ao encontro dos discípulos e chama a Pedro de um modo muito particular e pergunta muito gravemente: amas-me mais do que estes?, aí estava o problema de Pedro; ele pensava que só ele sabia o que ele pensava de si. Jesus sabia que Pedro pensava amá-lo mais do que os outros discípulos; logo não estava pronto para congregar. Porque congregar é orar, congregar é ensinar e congregar é, acima de tudo, apascentar; por isto, o ritual de congregação é tão importante. É neste ritual que normalmente ocorre a mais importante forma de comunicação entre Deus e os homens; é muito comum que nele as pessoas estabelecem um contato com Deus sem nenhuma intervenção humana.

 A julgar pela forma como a igreja cristã reformada se encontra organizada, percebe-se que o ritual da congregação precisa mudar bastante. Não se pode atribuir à igreja reformada a culpa por ter uma estrutura eclesiástica tão incompatível com os objetivos de Jesus. Esta estrutura autoritária foi consolidada pela igreja católica romana ainda na antiguidade e herdada pela igreja protestante. Vejamos, então, como funcionava a igreja dos três primeiros séculos da era cristã: o ritual da congregação era praticado na família e era dirigido por alguém que cumprisse um único requisito: que houvesse recebido Jesus como Deus. Somente cumprindo este requisito, o cristão estaria preparado para apascentar o rebanho de Jesus.

Consideraremos agora o ritual da Santa Ceia. Para as pessoas que não conhecem a essência do cristianismo vamos explicar da maneira mais simples possível. Jesus é o Messias prometido por Deus para restaurar o privilégio da eternidade ao ser humano, então vejamos a primeira referência bíblica ao Messias: Então o Senhor Deus disse à serpente: Porquanto fizeste isso, maldita serás tu dentre todos os animais domésticos, e dentre todos os animais do campo; sobre o teu ventre andarás, e pó comerás todos os dias da tua vida. Porei inimizade entre ti e a mulher, e entre a tua descendência e a sua descendência; esta te ferirá a cabeça, e tu lhe ferirás o calcanhar (Gn 3:14-15).

A eternidade do ser humano foi perdida em um episódio conhecido como queda; a queda foi uma espécie de rito de iniciação da espécie humana no pecado. Ora, a serpente era o mais astuto de todos os animais do campo, que o Senhor Deus tinha feito. E esta disse à mulher: É assim que Deus disse: Não comereis de toda árvore do jardim? Respondeu a mulher à serpente: Do fruto das árvores do jardim podemos comer, mas do fruto da árvore que está no meio do jardim, disse Deus: Não comereis dele, nem nele tocareis, para que não morrais. Disse a serpente à mulher: Certamente não morrereis (Gn 3:1-4). Como já foi comentado antes, neste artigo, faltou confiança da mulher na seriedade do decreto de Deus e ela o desobedeceu por todos nós.

Como o pecado é um ato de desobediência muito grave, que causa separação ente o homem e Deus, a consequência imediata da queda foi a expulsão do ser humano do Paraíso. Como o homem foi feito à imagem e à semelhança de Deus, o próprio Deus providenciou a restauração da eternidade a ele. Para que isto fosse possível Deus abriu mão da sua glória e se encarnou em um descendente da mulher capaz de restaurar a eternidade aos seres humanos: Porque um menino nos nasceu, um filho se nos deu; e o governo estará sobre os seus ombros; e o seu nome será: Maravilhoso Conselheiro, Deus Forte, Pai Eterno, Príncipe da Paz (Is 9:6). Este é o fundamento em que me baseio para afirmar tantas vezes que Jesus Cristo é Deus.

Ao longo de toda a história da salvação, que vem ser a Bíblia, os seres humanos procuraram servir a Deus, prestando contas da culpa pelo pecado que estava gravada em suas consciências. Usavam-se sacrifícios de animais apenas para simbolizar a substituição do ser humano pelo animal, a vítima. Mas, a verdadeira substituição não poderia ser aceita por Deus nem que fosse feita pelo homem mais justo que já existiu; a substituição do pecador culpado teria que ser feita por um inocente que reunisse ao mesmo tempo as características humanas e divinas; é disto que a Bíblia trata: da vinda do Messias, Deus em forma humana, para se oferecer pelo resgate de muitos; dos que creem na sua divindade.

A história da redenção não foi uma história inventada pelos homens; ela condiz com a natureza de Deus; com sua soberania, sua autoridade e seu amor: Mas ele foi ferido por causa das nossas transgressões, e esmagado por causa das nossas iniqüidades; o castigo que nos traz a paz estava sobre ele, e pelas suas pisaduras fomos sarados. Todos nós andávamos desgarrados como ovelhas, cada um se desviava pelo seu caminho; mas o Senhor fez cair sobre ele a iniqüidade de todos nós (Is 53:5-6). É esta a essência da religião cristã; o Messias sendo entregue para assumir o nosso lugar na cruz, por sermos todos culpados pelos nossos pecados e iniquidades.

A Santa Ceia é o mais sagrado dos rituais cristãos, ela representa uma celebração e ao mesmo tempo uma chamada de cada cristão à consciência de que Deus quer ser levado a sério: ... assim como o Filho do homem não veio para ser servido, mas para servir, e para dar a sua vida em resgate de muitos (Mt 20:28). Para se ter uma ideia da falta de autoridade de Jesus na igreja, a Santa Ceia é ministrada segundo a formalidade apresentada pelo apóstolo Paulo e não por Jesus. Caro leitor, neste ponto eu quero lhe convidar para que façamos a defesa da divindade de Jesus. Se você crê que Jesus é o Messias, Deus encarnado, comece a pregar esta verdade dentro e fora da igreja, porque a impressão que se tem é de que estão fazendo Jesus de palhaço.

A ESCATOLOGIA OU DESTINO FINAL DA ALMA

A escatologia, do ponto de vista antropológico é uma explicação para o destino final da alma. Do ponto de vista antropológico, a escatologia em cada religião depende do que é definido como panteão, ou seja, o conjunto de todas as entidades espirituais; no caso do cristianismo, o universo espiritual é composto por Deus e pelos anjos, e conceito preponderante sobre a consumação dos séculos é sempre a declaração expressa nos Evangelhos. Portanto ide, fazei discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo; ensinando-os a observar todas as coisas que eu vos tenho mandado; e eis que eu estou convosco todos os dias, até a consumação dos séculos (Mt 28:19-20). Conforme expresso nos versículos acima, haverá um fim para os tempos atuais.

Como o objetivo desta apologia é atribuir toda autoridade a Jesus Cristo; então, examinemos, esta passagens bastante conhecidas dos Evangelhos;  vejamos como Jesus se pronuncia sobre sua volta à Terra: Porque, assim como o relâmpago sai do oriente e se mostra até o ocidente, assim será também a vinda do filho do homem ( Mt 24:27). Em um contexto de total autoridade a Jesus Cristo, não é preciso que se especule sobre os fins dos tempos nem sobre a volta de Jesus, nem mesmo quando isto deverá acontecer; mas o que se observa, no meio cristão é a corrida às profecias, bíblicas ou não, como se a opinião de Jesus não bastasse. Felizmente, a igreja reformada originária não coloca as profecias acima da opinião de Jesus Cristo.

Se, por um lado, Jesus não permitiu especulações sobre o tempo da sua volta: Aqueles, pois, que se haviam reunido perguntavam-lhe, dizendo: Senhor, é nesse tempo que restauras o reino a Israel? Respondeu-lhes: A vós não vos compete saber os tempos ou as épocas, que o Pai reservou à sua própria autoridade (At 1:6-7). Por outro lado, Ele fez uma descrição precisa de como será o julgamento final: Quando, pois vier o Filho do homem na sua glória, e todos os anjos com ele, então se assentará no trono da sua glória; e diante dele serão reunidas todas as nações; e ele separará uns dos outros, como o pastor separa as ovelhas dos cabritos; e porá as ovelhas à sua direita, mas os cabritos à esquerda (Mt 25:31-33).

Se eu não tivesse sido curado de um enorme tumor em minha próstata e de um sopro cardíaco que poderiam me matar em dias, talvez eu não estivesse sentado aqui escrevendo estas coisas ou talvez não desse tanta importância â divindade, à ética e autoridade de Jesus; como estas coisas me aconteceram, eu não posso duvidar de uma só palavra de Jesus; por isto, estou organizando esta apologia e convidando as pessoas que pensarem que ela seja necessária para, juntos, propagarmos a divindade de Jesus. E, propagar a divindade de Jesus pressupõe guardar seus mandamentos, ou seja viver a sua ética.

Que o julgamento final vai acontecer, não se pode duvidar; também está muito claro quem vai julgar; veremos agora os critérios do julgamento: Então dirá o Rei aos que estiverem à sua direita: Vinde, benditos de meu Pai. Possuí por herança o reino que vos está preparado desde a fundação do mundo; porque tive fome, e me destes de comer; tive sede, e me destes de beber; era forasteiro, e me acolhestes; estava nu, e me vestistes; adoeci, e me visitastes; estava na prisão e fostes ver-me. Então os justos lhe perguntarão: Senhor, quando te vimos com fome, e te demos de comer? ou com sede, e te demos de beber? Quando te vimos forasteiro, e te acolhemos? ou nu, e te vestimos? Quando te vimos enfermo, ou na prisão, e fomos visitar-te? (Mt 25:34-39).

Sobre a absoluta falta de obras na igreja protestante eu escrevi o livro Parecido com Deus - As Obras e a Vida da Fé, que faz uma descrição pormenorizada da frieza e da miséria espiritual existente dentro da igreja, por conta da negligência à autoridade de Jesus. Ao que lhes responderá: Em verdade vos digo que, sempre que o deixaste de fazer a um destes mais pequeninos, deixastes de o fazer a mim. E irão eles para o castigo eterno, mas os justos para a vida eterna ( Mt 25:45-46). Para definir de forma prática o significado da escatologia, ou seja, do destino final da alma, para termos acesso à eternidade é preciso que façamos o que o Pai da Eternidade manda; lamentavelmente, neste ponto, a igreja reformada se encontra na mais absoluta miséria espiritual.

A ESCRITURÍSTICA OU ESCRITURA SAGRADA

A Escrituristica, vista como elemento da antropologia da religião, pode ser definida como o registro escrito ou a tradição oral que descreve os fundamentos da religião. Do ponto de vista cristão, a escriturística é realmente a Bíblia; um livro completo e sem erros. Como a análise do papel da escrituristica no cristianismo será feita do ponto de vista da igreja reformada, é justo afirmar que todo o problema do cristianismo está na forma como os teólogos reformados veem a Bíblia; eles consideram que a Bíblia, com seus inúmeros personagens e autores, exerce autoridade absoluta sobre toda a cristandade. Este é o principal problema que justifica a criação desta apologia que chamamos Jesuismo.

Como só posso considerar a opinião de Jesus Cristo e de mais ninguém, veja então o que Ele diz da Bíblia: Examinais as Escrituras, porque julgais ter nelas a vida eterna; e são elas que dão testemunho de mim; mas não quereis vir a mim para terdes vida! (Jo 5:39-40). Observe, então, que os judeus não estavam desonrando a Bíblia, eles estavam desonrando o Deus da Bíblia. O meu cuidado é com o significado da Bíblia para as pessoas; se ela for usada para desonrar a Jesus, do mesmo modo como aconteceu com os judeus, a Bíblia em si nada tem a ver com a desonra, são seus intérpretes que estão fazendo uso indevido dela.

Para saber se que eu falo tem ou não fundamento examine os milhares ou até milhões de livros escritos por pregadores, teólogos e pensadores cristãos reformados; examine o conteúdo das pregações que são levadas aos púlpitos, examine o conteúdo das lições das escolas bíblicas que são ministradas para o crescimento espiritual dos cristãos. O que se observa em todo este material é a preponderância da autoridade da Bíblia em nome dos seus inúmeros autores e personagens. É contra este absurdo que eu me apresento com esta apologia à divindade e à ética de Jesus; através desta apologia eu apresento Jesus Cristo como Deus, às pessoas e argumento em favor da sua autoridade absoluta sobre tudo e sobre todos. 

O que eu defendo através do Jesuismo é que a Bíblia exerça o papel de escritura sagrada, e os Evangelhos, que estão contidos na Bíblia, exerçam o papel de ética cristã e que a Jesus Cristo seja atribuída a divindade testemunhada pela Bíblia. Não se pretende reduzir a importância da Bíblia, muito pelo contrário, o que se pretende é apresentá-la às pessoas como a escriturística de uma religião que tem Deus. A julgar pelo conteúdo de todo os livros, sermões e lições postos à disposição dos cristãos, percebe-se que o cristianismo se orienta por uma infinidade de centros de poder, bem característicos de uma idolatria. E, se analisarmos a condição espiritual dos cristãos, que assim são orientados, iremos perceber que eles pouco diferem dos religiosos para quem Deus é apenas um ser superior, uma energia ou uma força suprema.

O CÓDIGO DE CONDUTA DADO PELA DIVINDADE - A ÉTICA CRISTÃ

A partir de agora analisaremos os dois elementos antropológicos da religião que são considerados os mais importantes. Antes de tudo, eu quero dizer que ética cristã é o conteúdo dos Evangelhos e tudo o mais que fizer parte da Bíblia e condiga plenamente com o conteúdo dos Evangelhos. Com esta definição eu creio que nasce um divisor de águas que demarca o conteúdo bíblico que foi soprado por Deus do que não foi. Muitos teólogos podem se magoar e dizer que eu estou querendo julgar a Bíblia e chegarão a pensar e a dizer que é a Bíblia que vai me julgar e não eu que vou julgar a Bíblia. Este é um dos bons argumentos para que se deixe as coisas como estão. 

Veja um dos motivos pelos quais eu quero que as coisas mudem, para que os cristãos tenham um melhor posicionamento em relação à ética.  Vós sois o sal da terra; mas se o sal se tornar insípido, com que se há de restaurar-lhe o sabor? para nada mais presta, senão para ser lançado fora, e ser pisado pelos homens (Mt 5:13). Considere então que Jesus tem um posicionamento bastante inflexível em relação a questões éticas. Considere então a condição daquele que só serve para ser lançado fora e ser pisado pelos homens. Agora pense bem, será que você tem lido, ouvido e aprendido a ética cristã que consiste em guardar os mandamentos de Jesus para receber o Espírito Santo e ser guiado por Ele?

Pois é exatamente esta a medida da ética cristã esperada por Jesus na vida e no dia a dia de todos os  seus discípulos. Os pregadores, teólogos  pensadores cristãos não ensinam a ética cristã neste nível porque eles guiam o rebanho pelos escritos dos apóstolos e dos inúmeros personagens e autores da Bíblia, que não Jesus. Conforme já foi dito, este foi o mundo que os pregadores, teólogos e pensadores cristãos encontraram; este problema já persiste há mais de dezessete séculos. Por isto, não se pode atribuir tais mazelas às igrejas nem aos teólogos; o que eu espero é que as pessoas que têm a responsabilidade de conduzir o rebanho de Jesus o façam tendo em conta que Ele é quem diz ser, por isto devemos levá-lo a sério.  

E para que ninguém pense que a ética cristã não tem validade no mundo secular, pense que Jesus afirmou que todo aquele que não a observar será pisado pelos homens. Para ilustrar um caso de falta de ética a ser lamentado eu vou contar um caso: Certo pastor começou seu trabalho em uma tenda de lona armada em um terreno cedido pela administração de uma cidade satélite de Brasília. Na verdade, o terreno ficava no meio de uma praça já urbanizada. O tempo passou e a enorme tenda foi ficando, até que em uma manhã ela sumiu, para dar lugar a um belo templo, construído no local. Como não poderia deixar de ser a imprensa levou a denúncia ao ar e ao conhecimento do governador que imediatamente mandou demolir.

O que mais me impressionou foi o fato de a igreja pertencer a uma denominação bem antiga e conhecida, originária da reforma; e mais ainda, que os frequentadores fossem pessoas de classe média ou classe média alta, mas todos os que se pronunciaram sobre a demolição acharam um absurdo que o governador fosse capaz de tamanha barbaridade. Vamos nos voltar para os Evangelhos, como um imperativo para as nossas vidas, porque ele é o código de conduta dado pela nossa Divindade. Infelizmente, muitos dos líderes religiosos colocam os seus objetivos acima da ética cristã e conduzem os crentes mais como uma torcida organizada do que como ovelhas do rebanho de Jesus Cristo.

A avaliação que eu faço do ensino da ética cristã dentro da igreja é que a ética cristã ensinada na igreja é compatível com o ensino difuso por toda a Bíblia e que não faz juizo de valor para diferenciar as sentenças: Não matarás (Ex 20:13); e: ... e dirão aos anciãos da cidade: Este nosso filho é contumaz e rebelde; não dá ouvidos à nossa voz; é comilão e beberrão. Então todos os homens da sua cidade o apedrejarão, até que morra; assim exterminarás o mal do meio de ti; e todo o Israel, ouvindo isso, temerá (Dt 21:20-21). É por isto que eu considero tão importante submeter todo o ensino religioso à opinião de Jesus Cristo; porque, os seus mandamentos são o nosso único e suficiente código de conduta.

A DIVINDADE - DEUS CONOSCO

Qualquer discussão sobre a divindade cai no vazio se considerar que os seres humanos diferem espiritualmente a não ser quanto a aspectos culturais. E para justificar esta conclusão vejamos qual a opinião de Jesus sobre o assunto: ... e amarás o teu próximo como a ti mesmo (Mt 19:19). É este o melhor padrão para avaliar os outros. Em condições normais, todos temos os mesmos sentimentos, por isto, não vamos esperar que haja religiões com características tão diferentes do cristianismo, ou que seja possível desprezar o conflito existente entre o Bem e o Mal. O próprio Jesus participou ativamente deste conflito durante o seu ministério terreno. Que fique bem claro que há religiões demonistas, cujos praticantes sabem exatamente o que estão fazendo; isto não diz respeito ao sentimento religioso natural do homem, mas a uma deturpação que pode ser atribuída ao Mal.

Jesus, durante o seu ministério tereno, encontrou pessoas acorrentadas pelo Mal e as libertou. O que a igreja precisa é trazer a autoridade de Jesus de volta para que esta autoridade seja usada em favor dos pobres oprimidos pelo maligno. Vamos seguir os passos de Jesus; vamos observar que em seu ministério terreno Ele se apresentava como o Messias; não importava se as pessoas estivessem dispostas ou não a aceitar. Em cerca de três anos Ele percorreu a Palestina de ponta a ponta, pregando sua divindade, em uma província romana, onde se pregava a divindade de César, o imperador. Vamos tomar este modelo de pregação que consiste em anunciar o reino de Deus, porque o reino de Deus pressupõe autoridade de Deus.

Como um dos grandes problemas de todo o mundo naquela época era saber quem é Deus, porque havia deuses demais, Jesus era a resposta para o problema. O mundo em que vivemos hoje não é muito diferente daquele em que Jesus viveu. Os problemas espirituais são exatamente os mesmos:  E percorria Jesus todas as cidades e aldeias, ensinando nas sinagogas, pregando o evangelho do reino, e curando toda sorte de doenças e enfermidades.  Vendo ele as multidões, compadeceu-se delas, porque andavam desgarradas e errantes, como ovelhas que não têm pastor (Mt 9:35-36). As pessoas estão buscando respostas para os seus problemas espirituais em qualquer lugar.

Mas convenhamos, a igreja reformada já tem meio milênio de experiência e parece que ainda não descobriu quem é o Deus que foi achado naquela época; o Deus que mudou o curso da história da humanidade. Ele é o mesmo Deus que quer mudar o curso da sua história, da história da sua igreja. E sobretudo, dar sentido à sua vida, à sua fé e ao seu ministério. Eu não pretendo esgotar o assunto relacionado ao método de pregação ensinado por Jesus porque este é o principal assunto do meu ensino. Mas eu quero resumir: Jesus pregou se apresentando às pessoas como o Messias, como aquele em quem as profecias bíblicas se cumpriam; é isto que Ele espera de todos nós.

Consideremos, então, a primeira pregação do apóstolo Pedro após receber o Espírito Santo:  Saiba pois com certeza toda a casa de Israel que a esse mesmo Jesus, a quem vós crucificastes, Deus o fez Senhor e Cristo (At 2:36). Ele apresentou Jesus como Senhor; para que você saiba o que a palavra Senhor significava naquela época, quando os cristãos eram instados a negar a Jesus como Deus, eles teriam que declarar: Senhor César!.. eu juro pelas suas riquezas. Assim ele declararia que César e não Jesus era Deus. O que seria suficiente para livrá-lo do martírio. Não se sabe de nenhum cristão autêntico que tenha feito isto, o que se sabe é que todos os mártires recusaram a oferta do imperador.

Os teólogos, pensadores e pregadores cristãos não podem alegar que o livro de Atos e as Cartas dos Apóstolos não sejam ricas em citações sobre a divindade de Jesus. Porque, a palavra Senhor é citadas centenas de vezes ao se referir a Jesus e ao Pai e a ninguém mais. Convenhamos que em nossa cultura a palavra senhor tenha um emprego bem diversificado. Na língua portuguesa senhor pode significar alguém mais velhos, alguém respeitável, alguém mais rico, alguém mais influente, e por aí vai. Considere então o impacto da declaração de Pedro ao apresentar Jesus, sobre a vida daquelas pessoas que o ouviam. E considere agora o impacto das pregações feitas nas igrejas sobre a vida dos ouvintes.

Espero que você não argumente que Pedro tinha mais poder do que os pregadores cristãos atuais, Jesus não aceita este tipo de argumento. Vejamos então qual o efeito das palavras de Pedro sobre os ouvintes: E, ouvindo eles isto, compungiram-se em seu coração, e perguntaram a Pedro e aos demais apóstolos: Que faremos, irmãos? Pedro então lhes respondeu: Arrependei-vos, e cada um de vós seja batizado em nome de Jesus Cristo, para remissão de vossos pecados; e recebereis o dom do Espírito Santo (At 2:37-38). Com esta pregação começou a história da igreja cristã: você é convidado a fazer parte desta história, não perca esta oportunidade, comece a sua pregação hoje mesmo dizendo a você mesmo quem é Jesus.

 Se por um lado os apóstolos encontraram um grupo muito grande de pessoas zombando das evidências físicas do que foi o batismo com o Espírito Santo, por outro lado, talvez do outro lado da praça, ele encontrou um grupo ainda maior de pessoas que se compungiram ao ouvirem que Jesus Cristo é Deus. As pessoas estão sedentas; tudo o que elas precisam é de amor; que sejam acolhidas em suas crises existenciais; que sejam acolhidas nas suas necessidades materiais. Se você considera que esta apologia se justifica, diante da necessidade de a igreja se encontrar com a divindade e com a ética de Jesus, entre em contato comigo, para juntos lutarmos por um cristianismo mais verdadeiro, ético e socialmente responsável.

TODAS AS COISAS FORAM FEITAS POR CAUSA DO HOMEM

Caro leitor, eu estou concluindo este artigo na certeza de que ele será lido por pessoas com diferentes concepções religiosas, filosóficas e culturais. Sei que existe um exército de pessoas que detestam a igreja de barro. Jesus não detestou esta igreja; Ele pregou no templo dos judeus sempre que quis. Quanto à impossibilidade de se construir templos para abrigar todos aqueles que venham a aceitar Jesus como Deus eu não tenho a menor preocupação com isto. A minha preocupação é com a formação de grupos familiares, centrados, sobretudo em cada família dispostos a cumprirem com os rituais cristãos sem que precisem pedir autorização de ninguém.

Tenho que admitir que a estrutura organizacional da igreja atual seja cruel; ela funciona do mesmo modo como funcionava a tribo de Israel há quase quatro mil anos. Ela ensina os mesmos preceitos com base em leis civis tribais daquela época. E com isto, acaba construindo uma ética completamente ultrapassada. O que defendemos em nossa apologia é uma prática religiosa em um contexto onde servo seja servo e Deus seja Deus. Para ilustrar a necessidade de uma nova ética a ser ensinada na igreja eu peço que você considere o dízimo, que foi instituído como o mais perfeito, justo e racional sistema tributário de todos. Como o sistema de governo da tribo de Israel era teocrático o dízimo era para o suprimento dos sacerdotes e dos necessitados.

Jesus não aboliu o dízimo, por isto eu jamais o condenaria; Jesus não fez guerra aos tributos romanos; Ele pagou imposto. Dize-nos, pois, que te parece? É lícito pagar tributo a César, ou não? Jesus, porém, percebendo a sua malícia, respondeu: Por que me experimentais, hipócritas? Mostrai-me a moeda do tributo. E eles lhe apresentaram um denário. Perguntou-lhes ele: De quem é esta imagem e inscrição? Responderam: De César. Então lhes disse: Dai, pois, a César o que é de César, e a Deus o que é de Deus (Mt 22:17-21). Você talvez nunca tenha ouvido isto nas igrejas, mas a verdade é que os judeus lutavam por todos os meios para não pagarem impostos; Jesus tinha outro propósito.

Eu penso que a manutenção da obra de Jesus deve se basear somente na ética proveniente dos Evangelhos  e não nos costumes da tribo de israel. Temos sempre que levar em conta que vivemos em um estado laico e não em um estado teocrático. No estado laico a igreja pode existir mas não é necessária. No estado teocrático o estado pode existir mas não é necessário. Veja então o contraste. Para melhor ilustrar este contraste deixe-me contar um caso: Certo jovem de classe média alta de Brasília adquiriu um apartamento para sua moradia e um carro para sua locomoção para o trabalho. Certo dia ele foi à igreja, com o contracheque e uma planilha de cálculos. Então ele mostrou a planilha ao pastor e perguntou se deveria dar o dízimo ou matricular as duas filhas na escola.  

Vamos pregar a ética de Jesus porque Ele afirmou:  Ficai nessa casa, comendo e bebendo do que eles tiverem; pois digno é o trabalhador do seu salário. Não andeis de casa em casa (Lc 10:7). Consideremos agora que o dízimo sendo pregado como garantia de proteção contra as adversidades já descamba para a superstição. Considere também que esta estrutura eclesiástica não deixa espaço para que as pessoas possam estender a mão aos necessitados. Jesus não ensinou isto. E o que é pior , os crentes são forçados a contribuir com menos de um décimo dos seus rendimentos brutos e chamar isto de dízimo; acabam sendo chamados de ladrões pelos lideres e tidos por mentirosos por Deus; vamos fazer o que Jesus manda.

Com este artigo eu estou trazendo a você algo necessário à igreja: a divindade, a ética, a escritura, a escatologia e os rituais. Estes elementos são inerentes à natureza humana. Não é Deus que precisa de qualquer coisa; somos nós, como seres humanos que precisamos. Negar que precise vai ser pior, você vai descambar para a superstição e para o tabu religioso, que como já definidos, são formas de expressar a separação do homem em relação a Deus. Este artigo é parte do material didático oferecido pelo Jesuismo para dar suporte a um Culto Familiar que sugerimos que você faça, porque esta é a forma como eu quero interagir com você. Entre em contato comigo, conte sua experiência, dê sua opinião e acima de tudo, se esforce para que você possa receber Jesus como Deus.

... Toda planta que meu Pai celestial não plantou será arrancada (Mt 15:13).

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© 2012 Afonso Meneses